Era um desses lindos dias de outono, uma quarta-feira
qualquer de abril.
Ela chegou tímida e sorridente. Olhos azuis, cabelos loiros,
aparentava menos idade do que tinha. Pediu um café, um bolo
de chocolate e pude perceber que queria conversar.
Disse que adorava café e tomava devagar para sentir bem o sabor de cada gole. O mesmo acontecia com o bolo de chocolate, comido em lentas garfadas.
Disse que adorava café e tomava devagar para sentir bem o sabor de cada gole. O mesmo acontecia com o bolo de chocolate, comido em lentas garfadas.
Disse que nunca havia comido um bolo de chocolate tão bom,
nem mesmo gostava de doces. Mas, que o meu era especial. Não era doce demais,
era leve e muito saboroso.
Ela falou da decoração, disse que via o capricho e o carinho em cada detalhe.
Neste momento, eu também peguei uma xícara de café e me sentei para conversarmos...
Ela falou da decoração, disse que via o capricho e o carinho em cada detalhe.
Neste momento, eu também peguei uma xícara de café e me sentei para conversarmos...
Ela trabalha aqui pertinho, estava passando e resolveu tomar um
café.
Contou-me que trabalha na escola aqui da esquina. Que tem
dois filhos, que trabalha muito, que estava se separando de
um marido que não valia nada. Depois de vinte e nove anos de casamento,
ela tomou coragem e resolveu começar outra história. “Os filhos já estão crescidos,
agora vou cuidar de mim!”.
Funcionária da Prefeitura de São José, concursada! Me disse, com orgulho. Não mais orgulhosa, do que quando disse que era artista. Artesã, ceramista, que sabia costurar, pintar e ainda arrumava tempo para cuidar de idosos à noite.
Funcionária da Prefeitura de São José, concursada! Me disse, com orgulho. Não mais orgulhosa, do que quando disse que era artista. Artesã, ceramista, que sabia costurar, pintar e ainda arrumava tempo para cuidar de idosos à noite.
Eu ouvia tudo, atenta aos detalhes fiquei feliz por ela ter
entrado aqui.
Mais um elogio ao café e ela disse (com lágrimas nos olhos) que tinha sido menina de rua. Que passava na frente das casas nos fins de semana e via a família reunida, que sentia o cheiro da comida e imaginava o que seria aquilo.
Com o irmão menor pelas mãos, seguia de casa em casa e se oferecia para lavar a louça em troca de um prato de comida. E podia ser o resto mesmo, não ligava de comer os restos. Para quem tinha que catar comida no lixo, os restos lhe pareciam um luxo.
“Vivi muito tempo na rua, cuidei do meu irmão menor. Passei noites em claro, passei frio e fome, até que fomos parar num abrigo. Consegui estudar, fiz o primeiro grau e o segundo também. Decidi que nunca mais iria passar fome e que teria uma família linda”.
Viu no casamento um sonho de estabilidade e segurança. Fez três faculdades e nunca parou de estudar.
Mais um elogio ao café e ela disse (com lágrimas nos olhos) que tinha sido menina de rua. Que passava na frente das casas nos fins de semana e via a família reunida, que sentia o cheiro da comida e imaginava o que seria aquilo.
Com o irmão menor pelas mãos, seguia de casa em casa e se oferecia para lavar a louça em troca de um prato de comida. E podia ser o resto mesmo, não ligava de comer os restos. Para quem tinha que catar comida no lixo, os restos lhe pareciam um luxo.
“Vivi muito tempo na rua, cuidei do meu irmão menor. Passei noites em claro, passei frio e fome, até que fomos parar num abrigo. Consegui estudar, fiz o primeiro grau e o segundo também. Decidi que nunca mais iria passar fome e que teria uma família linda”.
Viu no casamento um sonho de estabilidade e segurança. Fez três faculdades e nunca parou de estudar.
Hoje ela voltou.
Sempre sorridente e entusiasmada com a vida, me pediu um café:
“ Mais café do que leite. Preciso acordar... ESTOU NAMORANDO!"
Sempre sorridente e entusiasmada com a vida, me pediu um café:
“ Mais café do que leite. Preciso acordar... ESTOU NAMORANDO!"
