domingo, 3 de novembro de 2019

Antes que derreta...




 Meu pai me convidou para fazer um passeio de barco que saía de Joinville para São Francisco do Sul, passando por 14 ilhas na Baía da Babitonga.
Na Grande Florianópolis só chovia, como em toda primavera...  
Achei que seria cancelado mas, para minha surpresa, a previsão no litoral norte de Santa Catarina era de calor e sol entre nuvens. Eu até acho legal essa coisa de sol e mar, mas confesso: tenho medo de barcos! Tenho medo de água escura, tenho medo de ficar à deriva, tenho pesadelos com Titanic e jamais viajaria com Tom Hanks!

   A primeira vez que consegui fazer um passeio de barco, e perdi o medo de entrar na água, foi em Paraty- RJ. Mas, esta é outra história...
Meu pai disse que era um passeio tranquilo, “nem balançava”. Como ele é um exímio nadador, fiquei mais tranquila.
Desta vez, o Johnny Bigudis (meu fusca) ficou em casa. Fomos de van com mais oito passageiros, naquele estilo “excursão”.
Saímos às 6 horas da manhã, com chuva, em Florianópolis. Passando de Itajaí o tempo já mudou, parou a chuva e algumas aberturas de sol davam a esperança de um passeio sem chuva. Fizemos uma parada breve para um café aguado e aquela ida ao banheiro...
Não recomendo parar na Sinuelo para o café da manhã... Talvez para comprar suco de uva, tirar foto com um barco de madeira (que lembra Piratas do Caribe, sem Johnny Depp) seja bom.
O motorista parecia um pouco perdido em Joinville, mas chegamos bem e no horário.
No píer que levava ao barco, uma placa enorme avisava: É PROÍBIDO ENTRAR COM ALIMENTOS E BEBIDAS NO BARCO. SUJEITO A REVISTA!!!
Obviamente, achei um absurdo! Já estamos pagando o passeio (que não é barato) e ainda serei obrigada a consumir os produtos do barco? Tudo bem, o almoço estava incluso no pacote, mas as bebidas, não!

   Enquanto as pessoas se acomodavam um garçom passava oferecendo fatias de tortas de limão e alemã. Uma passageira aceitou a de limão... Bem, eu olhei para aquela fatia de torta e já fiz minhas observações mentais: Não era fresca, cada fatia estava de um tamanho diferente, a cobertura de merengue estava seca e na primeira garfada se separou do recheio. A senhora que comeu deixou toda a massa no prato... O garçom voltou e ela pediu uma bebida. Ah, ela pensou que a torta era uma “cortesia”... Uma cortesia que não era boa, mas custou 15 reais.
O barco tem três andares, o teto é baixo e eu jamais ficaria nos primeiros andares, sensação de aperto, falta de ar,...  Ficamos no último, mais arejado e menos apertado.
A vista era panorâmica, linda! O capitão avisou que estávamos de partida...
Nenhum balanço, nenhum enjoo. Com sol e vento seguimos para São Francisco do Sul.
Mencionei que o barco tem música ao vivo e show de humor?
Mencionei que a música e o show de humor eram exatamente ao lado das nossas mesas?
Quando me dizem, “vai ter música ao vivo!” Eu penso em “música”, não em um teclado com som repetitivo, pedaços de músicas que são emendadas umas nas outras, com frases tipo “viva a vida”. Enfim, os passageiros estavam se divertindo com o “show de humor”.

   Procurei circular, apreciar a paisagem e fiquei só na vontade de ter alguém para me dizer que ilhas eram aquelas, quem morava nelas, qual a história daquele lugar.
Algumas dessas dúvidas meu pai, que é nativo de “São Chico”, tirou.
Algumas ilhas foram concedidas a quem se comprometesse a preservá-las. Obviamente, essas pessoas tem um alto poder aquisitivo, seus próprios barcos, jet-ski, helicópteros...
“Casinhas” à beira-mar, sem vizinhos chatos, sem estresse, com praia particular e sua mini-floresta.
Você já se sentiu pobre? Hoje, me senti especialmente POBRE!
De repente, um silêncio, a música parou e o almoço foi servido. Um buffet bem variado, saladas, carnes, bobó de camarão... E uma fila gigantesca! Cada andar tinha seu próprio buffet, mais de 400 passageiro famintos se serviam. O medo de enfrentar a fila de novo, para repetir, fazia os pratos parecem marmitas: tudo junto e misturado.
Mas a comida estava boa... Sério! Não estava uma maravilha, era bem simples e a salada estava um pouco passada. Mas, estava boa.


   Não demorou muito para chegar a São Francisco, eu estava bem ansiosa. Chegar pelo mar nos dá outra perspectiva da cidade, de longe avistamos o Centro Histórico e suas construções coloridas.
São Francisco do Sul foi descoberta em 1504 por uma expedição francesa. É a terceira cidade mais antiga do Brasil e a mais antiga de Santa Catarina.
Minha avó paterna nasceu aqui, em 1910! A sensação que me deu ao desembarcar era que ela me contaria algumas histórias pelo caminho...
   No píer, crianças pulavam na água turva sem nenhum medo. Alguns passageiros não resistiram ao calor e também foram para água. Segundo meu pai, a água é limpa e todos nadam ali.
Quiosques vendem artesanatos aos turistas, mocinhas entregam panfletos de restaurantes e sorveterias. Era domingo e a movimentação não era só da chegada do barco, o Centro Histórico tem museus, igrejas, bares, cafés... Tudo aberto! Pessoas passeando com seus cachorros, sobrados com janelas abertas, mesinhas nas ruas, senhoras nas janelas olhavam o movimento. Tão diferente do centro de Florianópolis aos domingos.
Apenas uma hora para conhecer a cidade é pouco, fomos rapidamente ao Museu do Mar. Pessoas acima dos 60 anos não pagam entrada, ingresso normal custa cinco reais e jornalista não tem desconto! Rsrs

   Estava fazendo 30
º, eu queria muito um sorvete! Acho que o sorvete define a personalidade das cidades, não só pelo produto em si. Sempre que vejo alguém tomando um sorvete vejo paz, amor, tranquilidade, alegria, felicidade...
É impossível ser infeliz tomando sorvete!
Bem, a primeira opção era a do panfleto que recebi no píer: 10% no Buffet
, uma sorveteria bem conhecida... Tão conhecida que já passei por lá, em 2006. Fiquei pasma, o lugar continua igual. Quente, mal decorado, com atendentes tristes...
Olhei para meu pai, e disse: NÃO VOU FICAR AQUI!
Passamos por outra sorveteria no caminho, não havia olhado com atenção porque tinha muita gente na porta. Voltamos, entramos...

   Em poucos segundos, percebi que tinha feito a escolha certa. Um lugar muito bacana, cheio de vida. Uma decoração toda retrô, quadrinhos de pin-ups, bancos, objetos antigos, frases nas paredes escritas com giz. As atendentes simpáticas, de lacinhos nos cabelos e aventais de bolinhas. Por aqui, o Halloween é comemorado: teias de aranhas (falsas) chapéu, vassouras,... Obviamente, me senti em casa! Minha surpresa foi tão grande em encontrar um lugar assim, quase esqueci do sorvete. Era tudo tão cheio de detalhes fofos...  Em cada pires, uma mini toalhinha de crochê. Sabe o que é banana split, sundae, milk-shake? Aqui, eles ainda são servidos em lindas taças de vidro, como era antigamente... Sorvete 100% natural, paletas e cafeteria, não faltava  nada. Eu não queria mais ir embora!  


  Escolhi maracujá e iogurte com framboesa...
 E foi o melhor sorvete que provei nos últimos anos. Poderia ser igual aos outros, mas o sabor é um reflexo de todo amor envolvido neste lugar. Um lugar de atendentes felizes e prestativas, apesar da correria.
Um lugar que tinha fila, mas que as pessoas estavam sorrindo e não reclamavam de esperar.
Não consegui conversar com as proprietárias, não consegui saber mais, não consegui tirar mais fotos... O tempo era curto, já tínhamos que voltar para o barco.
Mas, o mais importante eu fiz: PROVEI UM SORVETE INCRÍVEL!
E claro, tive a certeza de que não importa o lugar que se resolve investir, fazendo com amor a tendência é o sucesso.
Eu pegaria o mesmo barco, ouviria com paciência o “show de humor”, não reclamaria de mais nada... Se soubesse que no final a recompensa seria essa sorveteria!
Já quero voltar!

O nome é Mira Me Retrô
O endereço: Rua Babitonga, 233 – Centro Histórico-
São Francisco do Sul-SC

Instagram: @mira-me-retro
Telefone: 47 3449-212

Horário de atendimento: 10:30 às 22:00
Não abre na segunda-feira*





Baía da Babitonga
São Francisco do Sul-SC 




sábado, 12 de outubro de 2019

Meu Jardim Food Park Estreito

Minha primeira vez comendo em foodtruck...
Sim, é sério! Eu tinha preconceito com comida de trucks e nunca fui de hambúrguer.
Mas, estou na fase de rever conceitos...
Hambúrguer de linguiça Blumenau, pão ciabatta...
@dukasburguer
 DELICIOSO! Recomendo, comendo, comendo...

Ah, não fique passando vontade!
Esse, e outros sabores deliciosos, você encontra no Meu Jardim Food Park Estreito.




quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Recomendo, comendo... E bebendo também, é claro!



   Foi um daqueles convites feitos em cima da hora, mas irrecusáveis:
             Abertura da IV Fenatruta, em Urubici e Bom Retiro- SC

   Antes de aceitar o convite, dei uma olhada na previsão do tempo. Eu amo frio, amo a Serra Catarinense. Mas confesso, não tenho roupas para frio extremo!
A previsão era de 18 graus, com sol. Fiquei um pouco desconfiada, aqui em Florianópolis estava 14 graus, nublado e com um vento sul de doer os ossos.
Tomei um daqueles remédios para gripe, o nariz estava “entubido” e as crises de asma não me deixavam em paz. Aceitei o convite, mesmo assim. Resolvida a ficar bem (ou ao menos parecer bem), fiz até mandinga. Brincadeira, foi só remédio mesmo... rsrs
Combinei com o Uber de me buscar às 05:45, aqui em casa. Ele chegou às 05:15!!
Acabei chegando muito cedo ao local combinado, deu tempo de conversar com algumas pessoas que dormem no terminal, reclamar que a lanchonete não tinha pão de queijo, dizer para o pedinte que eu também estava pedindo, e claro, sentir frio.

  Se esse terminal me dá medo durante o dia, de madrugada é pior ainda.
Enfim, a van que nos levaria para a Serra, chegou. Jornalistas, motoristas e fotógrafo bem dispostos, a previsão era de um dia incrível.
Era minha primeira vez oficialmente como jornalista, oficialmente na área que eu escolhi. Depois do TCC, de muitas histórias, lugares e sabores... Eu estava de volta, para contar novas histórias.
Desta vez, o Johnny Bigudis (meu fusca, parceiro de boas histórias, ficou em casa).
Sentei no último lugar, ainda sem intimidade com as outras pessoas... O que não durou muito tempo, obviamente! Ao meu lado, sentou o Paulo (um dos quatro “Paulos” que estavam na van) jornalista. Logo descobrimos que estudamos juntos e que tínhamos muitos amigos em comum.

  Paramos no caminho para um café, desta vez com pão de queijo. Estava tão frio que o café esfriou antes que eu chegasse à mesa. Essa parada é aquele tipo de lugar restaurante-café-loja-mercado-churrascaria-banheiro-decoração-banca de revista, sabe?
Será que alguém compra aqueles vasos? Será que alguém passa por ali, e diz: Uau! Este relógio de parede de plástico marrom, com detalhes em dourado, flores artificiais e ao fundo uma paisagem de montanhas nevadas, era tudo que eu queria!
Bom, sem respostas, seguimos viagem. Próxima parada, Urubici.
O dia estava ficando cada vez mais bonito, iluminado, quente e sem sinal de celular.
Quanto mais alto, menos sinal, menos internet, menos vida virtual.
O paraíso deve ser alguma coisa muito próxima disso...

         Casa Negra Trutaria

  Fomos recepcionados por duas fofuras caninas...
Logo depois, pelos sócios: Ricardo e Adriano.
Eu não sabia nada de truta, continuo sabendo pouco, mas vou te contar o necessário:
É UMA DELÍCIA!
Havia um certo preconceito, da minha parte, com peixes de água doce. Pra mim, sempre tinha gosto de terra, tipo açaí!
Enquanto o Chef Ricardo preparava alguns pratos para degustação, fomos conhecer o trutário. O tratador (que eu não lembro o nome) antes de começar a explicar sobre a produção, queria saber se éramos “youtubers” ou “influencers”. Eu disse, somos jornalistas! E ele: Mas vocês estudaram? Ele parecia bem desconfiado, e eu uma “bad influencer”.

   Podemos falar das trutas, agora?
Tanques com água limpa, corrente e temperatura controlada.
A truta é peixe fino, não gosta de terra, não gosta de água turva. O solo arenoso e o clima frio de Urubici são ideais para essas finas trutas, ou trutas finas...
Lindas, algumas sofrem uma mutação e ficam azuladas outras brancas, albinas...
 São abatidas jovens, o que garante uma carne magra e saborosa.
Eu quis logo conhecer o restaurante, a Casa Negra é negra mesmo! A cor chama atenção, as janelas são amarelas e cominam perfeitamente com o céu azul e as montanhas verdes ao redor.
No interior, um ambiente acolhedor: música boa e orquídeas nas janelas.

Um lugar adorável!
Provamos dois pratos: Crostini com trigo integral e alecrim com patê de truta defumada, e a truta frita empanada.


             
           


Com Regina  Reck, no Curucaca Hotel
   De volta para a van, estava na hora de conferir a abertura oficial da IV Fenatruta.
Desta vez, no Curucaca Hotel... Outro pedacinho do paraíso!
Aqui, vários restaurantes participando com pratos a base de truta, obviamente. Provei alguns, me encantei por outros. A apresentação, a gentileza, os sabores da Serra são bem diferentes. O queijo serrano tinha formato de peixinho, acompanhada de uma divina geleia de frutas vermelhas!
Ah, e os vinhos...Os vinhos da Serra!
Paisagem de tirar o fôlego, dia perfeito, pessoas incríveis, comidas deliciosas e tudo isso regado aos melhores vinhos produzidos na região. Pode melhorar? Pode, sim!
Uma taça de vinho vem acompanhada de boas conversas, por alguns momentos observei o vinho e quem o bebia. A alegria estava em todos os rostos, uns falando do evento, da organização, do prato criado especialmente para a Fenatruta e outros, de como escolheram este lugar para viver e empreender.
O orgulho de ter feito a escolha certa estava presente no olhar e no sorriso de todos.
Eu estava lá para observar, poderia passar horas fazendo isso...
Aquelas montanhas, as flores, o verde, o céu azul, a temperatura agradável, a vista da varanda, o vinho... Enquanto eu estava neste momento de contemplação do Divino, Dona Regina se aproximou. Tomamos mais algumas taças de vinho, tiramos fotos, apreciamos aquele momento e conversamos.
 Eu estava ansiosa para poder conversar com ela, longe da apresentação do prato e da movimentação do salão. Sabe aquelas pessoas que você vê uma vez e sabe que pode render horas de conversa? Gentil, inteligente, alegre, de sorriso largo e olhos brilhantes. Muitas pessoas me chamaram a atenção nesta pequena viagem, mas fui fisgada pela Dona Regina.
 Como sempre, fisgada pelas pessoas que gostam de cozinhar e de contar histórias.
 Eu tinha provado seu prato na entrada do evento, Trutas as Natas, inspirado na cozinha portuguesa: camadas de trutas, cebolas refogadas no azeite, pinhões e molho bechamel. Uma delícia, do Bodegão da Serra!
Dona Regina merece um capítulo só dela, essa foi só uma breve apresentação ;)





O tempo era curto, muita coisa para ver, conhecer e provar...
Última parada: Vinícola Thera, em Bom Retiro.
Todos sorridentes, bochechas coradas, alegrinhos e prontos para descobrir de onde vem aquele “amor engarrafado”, chamado VINHO!
Eu nunca havia entrado em um vinhedo, fiquei surpresa com o tamanho do lugar. Nesta época do ano (inverno) os ramos estão aparentemente secos, uma fase de descanso. Cobertas com um tipo de rede são agrupadas na vertical, o que vai facilitar a poda, rega e colheita futuramente.
 Quando imaginava um vinhedo lembrava daqueles filmes mais antigos, onde as parreiras formavam arcos e a mocinha corria por eles...
Hoje, a produção é mais moderna e não menos encantadora.
Queria ter tido mais tempo para andar por aqui, mas já era hora de partir.

 Muitos amigos dizem que Santa Catarina é muito mais bonita que a Europa, outros acham muito parecida. Eu, na minha humilde opinião, acho que a natureza foi extremamente caprichosa quando desenhou este lugar.

  
 IV Fenatruta acontece até dia 29 de setembro, em Urubici e Bom Retiro-SC
Uma experiência gastronômica e turística apaixonante!



“Vim, vi, comi”

Kayaboop
Vinícola Thera, Bom Retiro- SC