Foi um daqueles convites feitos em cima
da hora, mas irrecusáveis:
Abertura da IV Fenatruta, em Urubici e Bom Retiro- SC
Antes de aceitar o convite, dei uma olhada na previsão do tempo. Eu amo frio,
amo a Serra Catarinense. Mas confesso, não tenho roupas para frio extremo!
A previsão era de 18 graus, com sol. Fiquei um pouco desconfiada, aqui em
Florianópolis estava 14 graus, nublado e com um vento sul de doer os ossos.
Tomei um daqueles remédios para gripe, o nariz estava “entubido” e as crises de
asma não me deixavam em paz. Aceitei o convite, mesmo assim. Resolvida a ficar
bem (ou ao menos parecer bem), fiz até mandinga. Brincadeira, foi só remédio
mesmo... rsrs
Combinei com o Uber de me buscar às 05:45, aqui em casa. Ele chegou às 05:15!!
Acabei chegando muito cedo ao local combinado, deu tempo de conversar com
algumas pessoas que dormem no terminal, reclamar que a lanchonete não tinha pão
de queijo, dizer para o pedinte que eu também estava pedindo, e claro, sentir
frio.
Se esse terminal me dá medo durante o dia, de madrugada é pior ainda.
Enfim, a van que nos levaria para a Serra, chegou. Jornalistas, motoristas e
fotógrafo bem dispostos, a previsão era de um dia incrível.
Era minha primeira vez oficialmente como jornalista, oficialmente na área que
eu escolhi. Depois do TCC, de muitas histórias, lugares e sabores... Eu estava de volta, para contar novas histórias.
Desta vez, o Johnny Bigudis (meu fusca, parceiro de boas histórias, ficou em
casa).
Sentei no último lugar, ainda sem intimidade com as outras pessoas... O que não
durou muito tempo, obviamente! Ao meu lado, sentou o Paulo (um dos quatro
“Paulos” que estavam na van) jornalista. Logo descobrimos que estudamos juntos
e que tínhamos muitos amigos em comum.
Paramos no caminho para um café, desta vez com pão de queijo. Estava tão frio
que o café esfriou antes que eu chegasse à mesa. Essa parada é aquele tipo de
lugar restaurante-café-loja-mercado-churrascaria-banheiro-decoração-banca de
revista, sabe?
Será que alguém compra aqueles vasos? Será que alguém passa por ali, e diz:
Uau! Este relógio de parede de plástico marrom, com detalhes em dourado, flores
artificiais e ao fundo uma paisagem de montanhas nevadas, era tudo que eu
queria!
Bom, sem respostas, seguimos viagem. Próxima parada, Urubici.
O dia estava ficando cada vez mais bonito, iluminado, quente e sem sinal de
celular.
Quanto mais alto, menos sinal, menos internet, menos vida virtual.
O paraíso deve ser alguma coisa muito próxima disso...
Casa Negra Trutaria

Fomos recepcionados por duas fofuras caninas...
Logo depois, pelos sócios: Ricardo e Adriano.
Eu não sabia nada de truta, continuo sabendo pouco, mas vou te contar o necessário:
É UMA DELÍCIA!
Havia um certo preconceito, da minha parte, com peixes de água doce. Pra mim,
sempre tinha gosto de terra, tipo açaí!
Enquanto o Chef Ricardo preparava alguns pratos para degustação, fomos conhecer
o trutário. O tratador (que eu não lembro o nome) antes de começar a explicar
sobre a produção, queria saber se éramos “
youtubers”
ou “
influencers”. Eu disse, somos
jornalistas! E ele: Mas vocês estudaram? Ele parecia bem desconfiado, e eu uma
“
bad influencer”.
Podemos falar das trutas, agora?
Tanques com água limpa, corrente e temperatura controlada.
A truta é peixe fino, não gosta de terra, não gosta de água turva. O solo
arenoso e o clima frio de Urubici são ideais para essas finas trutas, ou trutas
finas...
Lindas, algumas sofrem uma mutação e ficam azuladas outras brancas, albinas...
São abatidas jovens, o que garante uma
carne magra e saborosa.
Eu quis logo conhecer o restaurante, a Casa Negra é negra mesmo! A cor chama
atenção, as janelas são amarelas e cominam perfeitamente com o céu azul e as
montanhas verdes ao redor.
No interior, um ambiente acolhedor: música boa e
orquídeas nas janelas.
Um lugar adorável!
Provamos dois pratos: Crostini com trigo integral e alecrim com patê de truta
defumada, e a truta frita empanada.