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domingo, 6 de março de 2022

Colheita da Maçã na Serra Catarinense

 Uma época deliciosa

Santa Catarina é mesmo um estado encantador...
Terra de gente trabalhadora, paisagens deslumbrantes e com uma gastronomia riquíssima o estado também é o maior produtor de maçã do país.
Essa fruta tão especial, e tão "irresistível" (Eva e Branca de Neve concordam comigo) está presente no cotidiano dos brasileiros.
A maçã in natura das feiras também está nos sucos, nos chás, nas geleias, nos doces, em algumas receitas salgadas e numa infinidade de sobremesas mundo afora.
Sou suspeita para falar, mas sou fã de Apfeltrudel e Torta de Maçã. Eu, o Hans Landa*, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, Zé Colmeia e todos que não resistem ao cheirinho de maçãs assando com especiarias... 


A colheita da maçã começou meados de fevereiro e vai até abril, começa com o tipo Gala e posteriormente, já se aproximando do final do mês de março, a Fuji.
Apesar de ser amplamente consumida poucos já tiveram a oportunidade de ver uma macieira, um pomar ou mesmo colher a fruta.
Eu tive essa oportunidade quando comecei a conhecer melhor o interior do estado, especialmente Urubici e São Joaquim. A cada estação um árvore totalmente diferente e não menos cheia de encantos: No inverno ela está seca/hibernando, na primavera a floração é um espetáculo à parte, no verão pomares repletos de frutas chegam à vergar com o peso das frutas.
O perfume, o visual, o sabor e as cores me transportaram para dentro de um filme.

Então, fica a dica:
Se você está de férias nesta época ou se tem um final de semana livre, vale muito a pena subir a Serra e colher suas próprias maçãs. Alguns produtores permitem o acesso aos pomares e têm o sistema " colhe e pague", no caminho entre Urubici e São Joaquim é possível ver várias placas chamando os turistas para a colheita.

Não esqueça de reservar uma boa pousada, além das maçãs tem muita coisa para ver e fazer na região!
 



Colheita de Maçã em Santa Catarina
                  


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Florianópolis - Lado Leste

  Os açorianos chegaram por  aqui  em meados do século XVIII. Foi deles que os florianopolitanos  herdaram costumes e tradições, deixando suas marcas no jeito de  ser e  de  viver de  sua gente.
O pedacinho de terra perdido no mar, ilha da moça faceira, da velha rendeira. Ilha da Lagoa da Conceição, Ilha do surf, ilha das bruxas de Cascaes. Ilha de histórias fantásticas, ilha de poesia, ilha de gastronomia.
Ponte Hercílio Luz  Foto: Karla Souza
 Várias ilhas dentro de uma só, assim é Florianópolis. Um lugar de cores, de sabores e de história. Um lugar de manezinhos, de colonização açoriana, de gente bonita e de turista que vem e fica.
Neste pequeno paraíso, fomos conhecer o Leste da Ilha. Lugar de pescadores, de gente feliz e das pessoas que descobriram um cantinho junto à natureza para viver. Aqui, a vida tranquila se mistura com o agito dos turistas o ano inteiro. Para quem não está acostumado, o trânsito é complicado. Antes as filas se formavam apenas no verão, hoje é preciso ter paciência e bom humor. Mas com está vista, não dá nem para reclamar de ficar muito tempo na fila, não é?




                                                  Lagoa da Conceição




Foto: Karla Souza
Um espaço místico, aqui os açorianos localizaram bruxas, lobisomens e outras  tantas criaturas  noturnas, que deixam esta parte da  ilha ainda  mais encantada. A freguesia se formou ao redor da igreja de Nossa Senhora da Conceição. Algumas construções ainda sobrevivem  ao  tempo, deixando  o lugar  ainda mais  bonito. Mas é bom andar atento, e saber diferenciar  as  bruxas das feiticeiras. As bruxas dão nós nas crinas dos cavalos, chupam sangue de  criancinhas, “intizicam” com as pessoas e fazem  muitas  maldades. As feiticeiras são boas e só elas tem o poder de desfazer as bruxarias.  Se resolver passear em noite de lua cheia, cuidado redobrado, a  probabilidade de encontrar estes seres encantados são maiores. 
 Agora, se você não acredita nessas coisas...  A noite da Lagoa é a mais badalada da cidade, bares com música ao vivo, dos mais variados estilos. Gente bonita e a animada, lotam as ruas  do Centrinho até a Avenida Rendeiras.
Um passeio na Lagoa, num lindo dia de sol é imperdível. Programa para todas as idades, com várias atrações. Do pedalinho ao  stand-up paddle (aquele pranchão com remo), do  passeio de barco ao pic-nic na grama. Para quem tem  disposição, subir as dunas vale a pena e também tem a opção de praticar sandboard. Sem contar com as  inúmeras opções de restaurantes, servindo os pratos  típicos da ilha. Pra quem curte frutos do mar, a Lagoa é o paraíso.

 Florianópolis recebeu o título de Cidade Criativa Unesco da Gastronomia, em 2014. É a única cidade do Brasil com esta distinção, motivo de orgulho para todos. Os sabores da Ilha são uma herança dos açorianos. Eles trouxeram as técnicas e os utensílios, os modos de pescar, o carro de boi, a cerâmica, a renda de bilro e etc.
As receitas são carregadas de histórias, cheiros e tradições. Aqui as coisas simples da terra e do mar se uniram, criando sabores autênticos. 
Foto: Karla Souza




“Nossa gastronomia é simples, voltada para frutos do mar. Tive a oportunidade de estar junto na escolha das receitas e elaboração das fichas técnicas. Esse título leva um pouquinho da nossa cultura e gastronomia para  o mundo.”

Alessandro Medeiros - Chef de Cozinha


  A praia da Barra da Lagoa é sem dúvida um lugar mágico, um  dos  lugares preferidos  dos  turistas estrangeiros. Quem mora aqui,  não  pensa em se  mudar.
 Tem sombra, tem praça, tem  mar, piscinas naturais, o canal, o peixe fresco e uma comunidade acolhedora. 
Foto: Karla Souza
 Aqui, as crianças se divertem como em outros tempos. Tem lugar pra  jogar bola, árvores frutíferas, e quando o dia esta  assim bonito... Tomar banho no canal!  Os filhos de pescadores crescem  nesse  paraíso, alguns seguem a tradição da  família e continuam na profissão.
  E não se assuste com o nome, aqui todo mundo tem uma ZICA. E é com ela que você vai trabalhar, encontrar os  amigos, à escola e  até pescar no canal.
A zica também faz passeios românticos, afinal, tem que ter amor nessa vida!
 Ah, você não sabe o que é uma zica?
Talvez você conheça por outro nome, a bicicleta!   
Foto: Karla Souza
                                                               

No canal da Barra, além dos pescadores artesanais,  você encontra pessoas mergulhando, turistas fazendo a  foto  clássica no farol, pessoas conversando à sombra das árvores. A praia é para todas as idades, com restaurantes à beira-mar e uma extensa faixa de areia.
Aqui também é um lugar para os esportes, surf e kitesurf são os mais procurados. Se esses não lhe agradam muito, ainda tem o frescobol, as caminhadas, o vôlei de praia e tantos outros.
A Barra da Lagoa é um lugar acolhedor, com opções para todas as idades.






quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Recomendo, comendo... E bebendo também, é claro!



   Foi um daqueles convites feitos em cima da hora, mas irrecusáveis:
             Abertura da IV Fenatruta, em Urubici e Bom Retiro- SC

   Antes de aceitar o convite, dei uma olhada na previsão do tempo. Eu amo frio, amo a Serra Catarinense. Mas confesso, não tenho roupas para frio extremo!
A previsão era de 18 graus, com sol. Fiquei um pouco desconfiada, aqui em Florianópolis estava 14 graus, nublado e com um vento sul de doer os ossos.
Tomei um daqueles remédios para gripe, o nariz estava “entubido” e as crises de asma não me deixavam em paz. Aceitei o convite, mesmo assim. Resolvida a ficar bem (ou ao menos parecer bem), fiz até mandinga. Brincadeira, foi só remédio mesmo... rsrs
Combinei com o Uber de me buscar às 05:45, aqui em casa. Ele chegou às 05:15!!
Acabei chegando muito cedo ao local combinado, deu tempo de conversar com algumas pessoas que dormem no terminal, reclamar que a lanchonete não tinha pão de queijo, dizer para o pedinte que eu também estava pedindo, e claro, sentir frio.

  Se esse terminal me dá medo durante o dia, de madrugada é pior ainda.
Enfim, a van que nos levaria para a Serra, chegou. Jornalistas, motoristas e fotógrafo bem dispostos, a previsão era de um dia incrível.
Era minha primeira vez oficialmente como jornalista, oficialmente na área que eu escolhi. Depois do TCC, de muitas histórias, lugares e sabores... Eu estava de volta, para contar novas histórias.
Desta vez, o Johnny Bigudis (meu fusca, parceiro de boas histórias, ficou em casa).
Sentei no último lugar, ainda sem intimidade com as outras pessoas... O que não durou muito tempo, obviamente! Ao meu lado, sentou o Paulo (um dos quatro “Paulos” que estavam na van) jornalista. Logo descobrimos que estudamos juntos e que tínhamos muitos amigos em comum.

  Paramos no caminho para um café, desta vez com pão de queijo. Estava tão frio que o café esfriou antes que eu chegasse à mesa. Essa parada é aquele tipo de lugar restaurante-café-loja-mercado-churrascaria-banheiro-decoração-banca de revista, sabe?
Será que alguém compra aqueles vasos? Será que alguém passa por ali, e diz: Uau! Este relógio de parede de plástico marrom, com detalhes em dourado, flores artificiais e ao fundo uma paisagem de montanhas nevadas, era tudo que eu queria!
Bom, sem respostas, seguimos viagem. Próxima parada, Urubici.
O dia estava ficando cada vez mais bonito, iluminado, quente e sem sinal de celular.
Quanto mais alto, menos sinal, menos internet, menos vida virtual.
O paraíso deve ser alguma coisa muito próxima disso...

         Casa Negra Trutaria

  Fomos recepcionados por duas fofuras caninas...
Logo depois, pelos sócios: Ricardo e Adriano.
Eu não sabia nada de truta, continuo sabendo pouco, mas vou te contar o necessário:
É UMA DELÍCIA!
Havia um certo preconceito, da minha parte, com peixes de água doce. Pra mim, sempre tinha gosto de terra, tipo açaí!
Enquanto o Chef Ricardo preparava alguns pratos para degustação, fomos conhecer o trutário. O tratador (que eu não lembro o nome) antes de começar a explicar sobre a produção, queria saber se éramos “youtubers” ou “influencers”. Eu disse, somos jornalistas! E ele: Mas vocês estudaram? Ele parecia bem desconfiado, e eu uma “bad influencer”.

   Podemos falar das trutas, agora?
Tanques com água limpa, corrente e temperatura controlada.
A truta é peixe fino, não gosta de terra, não gosta de água turva. O solo arenoso e o clima frio de Urubici são ideais para essas finas trutas, ou trutas finas...
Lindas, algumas sofrem uma mutação e ficam azuladas outras brancas, albinas...
 São abatidas jovens, o que garante uma carne magra e saborosa.
Eu quis logo conhecer o restaurante, a Casa Negra é negra mesmo! A cor chama atenção, as janelas são amarelas e cominam perfeitamente com o céu azul e as montanhas verdes ao redor.
No interior, um ambiente acolhedor: música boa e orquídeas nas janelas.

Um lugar adorável!
Provamos dois pratos: Crostini com trigo integral e alecrim com patê de truta defumada, e a truta frita empanada.


             
           


Com Regina  Reck, no Curucaca Hotel
   De volta para a van, estava na hora de conferir a abertura oficial da IV Fenatruta.
Desta vez, no Curucaca Hotel... Outro pedacinho do paraíso!
Aqui, vários restaurantes participando com pratos a base de truta, obviamente. Provei alguns, me encantei por outros. A apresentação, a gentileza, os sabores da Serra são bem diferentes. O queijo serrano tinha formato de peixinho, acompanhada de uma divina geleia de frutas vermelhas!
Ah, e os vinhos...Os vinhos da Serra!
Paisagem de tirar o fôlego, dia perfeito, pessoas incríveis, comidas deliciosas e tudo isso regado aos melhores vinhos produzidos na região. Pode melhorar? Pode, sim!
Uma taça de vinho vem acompanhada de boas conversas, por alguns momentos observei o vinho e quem o bebia. A alegria estava em todos os rostos, uns falando do evento, da organização, do prato criado especialmente para a Fenatruta e outros, de como escolheram este lugar para viver e empreender.
O orgulho de ter feito a escolha certa estava presente no olhar e no sorriso de todos.
Eu estava lá para observar, poderia passar horas fazendo isso...
Aquelas montanhas, as flores, o verde, o céu azul, a temperatura agradável, a vista da varanda, o vinho... Enquanto eu estava neste momento de contemplação do Divino, Dona Regina se aproximou. Tomamos mais algumas taças de vinho, tiramos fotos, apreciamos aquele momento e conversamos.
 Eu estava ansiosa para poder conversar com ela, longe da apresentação do prato e da movimentação do salão. Sabe aquelas pessoas que você vê uma vez e sabe que pode render horas de conversa? Gentil, inteligente, alegre, de sorriso largo e olhos brilhantes. Muitas pessoas me chamaram a atenção nesta pequena viagem, mas fui fisgada pela Dona Regina.
 Como sempre, fisgada pelas pessoas que gostam de cozinhar e de contar histórias.
 Eu tinha provado seu prato na entrada do evento, Trutas as Natas, inspirado na cozinha portuguesa: camadas de trutas, cebolas refogadas no azeite, pinhões e molho bechamel. Uma delícia, do Bodegão da Serra!
Dona Regina merece um capítulo só dela, essa foi só uma breve apresentação ;)





O tempo era curto, muita coisa para ver, conhecer e provar...
Última parada: Vinícola Thera, em Bom Retiro.
Todos sorridentes, bochechas coradas, alegrinhos e prontos para descobrir de onde vem aquele “amor engarrafado”, chamado VINHO!
Eu nunca havia entrado em um vinhedo, fiquei surpresa com o tamanho do lugar. Nesta época do ano (inverno) os ramos estão aparentemente secos, uma fase de descanso. Cobertas com um tipo de rede são agrupadas na vertical, o que vai facilitar a poda, rega e colheita futuramente.
 Quando imaginava um vinhedo lembrava daqueles filmes mais antigos, onde as parreiras formavam arcos e a mocinha corria por eles...
Hoje, a produção é mais moderna e não menos encantadora.
Queria ter tido mais tempo para andar por aqui, mas já era hora de partir.

 Muitos amigos dizem que Santa Catarina é muito mais bonita que a Europa, outros acham muito parecida. Eu, na minha humilde opinião, acho que a natureza foi extremamente caprichosa quando desenhou este lugar.

  
 IV Fenatruta acontece até dia 29 de setembro, em Urubici e Bom Retiro-SC
Uma experiência gastronômica e turística apaixonante!



“Vim, vi, comi”

Kayaboop
Vinícola Thera, Bom Retiro- SC