Meu pai me convidou para fazer um passeio de barco
que saía de Joinville para São Francisco do Sul, passando por 14 ilhas na Baía
da Babitonga. Na Grande Florianópolis só chovia, como em toda primavera...
Achei que seria cancelado mas, para minha surpresa, a previsão no litoral norte de Santa Catarina era de calor e sol entre nuvens. Eu até acho legal essa coisa de sol e mar, mas confesso: tenho medo de barcos! Tenho medo de água escura, tenho medo de ficar à deriva, tenho pesadelos com Titanic e jamais viajaria com Tom Hanks!
A primeira vez que consegui fazer um passeio de barco, e perdi o medo de entrar na água, foi em Paraty- RJ. Mas, esta é outra história...
Meu pai disse que era um passeio tranquilo, “nem balançava”. Como ele é um exímio nadador, fiquei mais tranquila.
Desta vez, o Johnny Bigudis (meu fusca) ficou em casa. Fomos de van com mais oito passageiros, naquele estilo “excursão”.
Saímos às 6 horas da manhã, com chuva, em Florianópolis. Passando de Itajaí o tempo já mudou, parou a chuva e algumas aberturas de sol davam a esperança de um passeio sem chuva. Fizemos uma parada breve para um café aguado e aquela ida ao banheiro...
Não recomendo parar na Sinuelo para o café da manhã... Talvez para comprar suco de uva, tirar foto com um barco de madeira (que lembra Piratas do Caribe, sem Johnny Depp) seja bom.
O motorista parecia um pouco perdido em Joinville, mas chegamos bem e no horário.
No píer que levava ao barco, uma placa enorme avisava: É PROÍBIDO ENTRAR COM ALIMENTOS E BEBIDAS NO BARCO. SUJEITO A REVISTA!!!
Obviamente, achei um absurdo! Já estamos pagando o passeio (que não é barato) e ainda serei obrigada a consumir os produtos do barco? Tudo bem, o almoço estava incluso no pacote, mas as bebidas, não!
Enquanto as pessoas se acomodavam um garçom passava oferecendo fatias de tortas de limão e alemã. Uma passageira aceitou a de limão... Bem, eu olhei para aquela fatia de torta e já fiz minhas observações mentais: Não era fresca, cada fatia estava de um tamanho diferente, a cobertura de merengue estava seca e na primeira garfada se separou do recheio. A senhora que comeu deixou toda a massa no prato... O garçom voltou e ela pediu uma bebida. Ah, ela pensou que a torta era uma “cortesia”... Uma cortesia que não era boa, mas custou 15 reais.
O barco tem três andares, o teto é baixo e eu jamais ficaria nos primeiros andares, sensação de aperto, falta de ar,... Ficamos no último, mais arejado e menos apertado.
A vista era panorâmica, linda! O capitão avisou que estávamos de partida...
Nenhum balanço, nenhum enjoo. Com sol e vento seguimos para São Francisco do Sul.
Mencionei que o barco tem música ao vivo e show de humor?
Mencionei que a música e o show de humor eram exatamente ao lado das nossas mesas?
Quando me dizem, “vai ter música ao vivo!” Eu penso em “música”, não em um teclado com som repetitivo, pedaços de músicas que são emendadas umas nas outras, com frases tipo “viva a vida”. Enfim, os passageiros estavam se divertindo com o “show de humor”.
Procurei circular, apreciar a paisagem e fiquei só na vontade de ter alguém para me dizer que ilhas eram aquelas, quem morava nelas, qual a história daquele lugar.
Algumas dessas dúvidas meu pai, que é nativo de “São Chico”, tirou.
Algumas ilhas foram concedidas a quem se comprometesse a preservá-las. Obviamente, essas pessoas tem um alto poder aquisitivo, seus próprios barcos, jet-ski, helicópteros...
“Casinhas” à beira-mar, sem vizinhos chatos, sem estresse, com praia particular e sua mini-floresta.
Você já se sentiu pobre? Hoje, me senti especialmente POBRE!
De repente, um silêncio, a música parou e o almoço foi servido. Um buffet bem variado, saladas, carnes, bobó de camarão... E uma fila gigantesca! Cada andar tinha seu próprio buffet, mais de 400 passageiro famintos se serviam. O medo de enfrentar a fila de novo, para repetir, fazia os pratos parecem marmitas: tudo junto e misturado.
Mas a comida estava boa... Sério! Não estava uma maravilha, era bem simples e a salada estava um pouco passada. Mas, estava boa.
Não demorou muito para chegar a São Francisco, eu estava bem ansiosa. Chegar pelo mar nos dá outra perspectiva da cidade, de longe avistamos o Centro Histórico e suas construções coloridas.
São Francisco do Sul foi descoberta em 1504 por uma expedição francesa. É a terceira cidade mais antiga do Brasil e a mais antiga de Santa Catarina.
Minha avó paterna nasceu aqui, em 1910! A sensação que me deu ao desembarcar era que ela me contaria algumas histórias pelo caminho...
No píer, crianças pulavam na água turva sem nenhum medo. Alguns passageiros não resistiram ao calor e também foram para água. Segundo meu pai, a água é limpa e todos nadam ali.
Quiosques vendem artesanatos aos turistas, mocinhas entregam panfletos de restaurantes e sorveterias. Era domingo e a movimentação não era só da chegada do barco, o Centro Histórico tem museus, igrejas, bares, cafés... Tudo aberto! Pessoas passeando com seus cachorros, sobrados com janelas abertas, mesinhas nas ruas, senhoras nas janelas olhavam o movimento. Tão diferente do centro de Florianópolis aos domingos.
Apenas uma hora para conhecer a cidade é pouco, fomos rapidamente ao Museu do Mar. Pessoas acima dos 60 anos não pagam entrada, ingresso normal custa cinco reais e jornalista não tem desconto! Rsrs
Estava fazendo 30º, eu queria muito um sorvete! Acho que o sorvete define a personalidade das cidades, não só pelo produto em si. Sempre que vejo alguém tomando um sorvete vejo paz, amor, tranquilidade, alegria, felicidade...
É impossível ser infeliz tomando sorvete!
Bem, a primeira opção era a do panfleto que recebi no píer: 10% no Buffet, uma sorveteria bem conhecida... Tão conhecida que já passei por lá, em 2006. Fiquei pasma, o lugar continua igual. Quente, mal decorado, com atendentes tristes...
Olhei para meu pai, e disse: NÃO VOU FICAR AQUI!
Passamos por outra sorveteria no caminho, não havia olhado com atenção porque tinha muita gente na porta. Voltamos, entramos...
Em poucos segundos, percebi que tinha feito a escolha certa. Um lugar muito bacana, cheio de vida. Uma decoração toda retrô, quadrinhos de pin-ups, bancos, objetos antigos, frases nas paredes escritas com giz. As atendentes simpáticas, de lacinhos nos cabelos e aventais de bolinhas. Por aqui, o Halloween é comemorado: teias de aranhas (falsas) chapéu, vassouras,... Obviamente, me senti em casa! Minha surpresa foi tão grande em encontrar um lugar assim, quase esqueci do sorvete. Era tudo tão cheio de detalhes fofos... Em cada pires, uma mini toalhinha de crochê. Sabe o que é banana split, sundae, milk-shake? Aqui, eles ainda são servidos em lindas taças de vidro, como era antigamente... Sorvete 100% natural, paletas e cafeteria, não faltava nada. Eu não queria mais ir embora!

Escolhi maracujá e iogurte com framboesa...
E foi o melhor sorvete que provei nos últimos anos. Poderia ser igual aos outros, mas o sabor é um reflexo de todo amor envolvido neste lugar. Um lugar de atendentes felizes e prestativas, apesar da correria.
Um lugar que tinha fila, mas que as pessoas estavam sorrindo e não reclamavam de esperar.
Não consegui conversar com as proprietárias, não consegui saber mais, não consegui tirar mais fotos... O tempo era curto, já tínhamos que voltar para o barco.
Mas, o mais importante eu fiz: PROVEI UM SORVETE INCRÍVEL!
E claro, tive a certeza de que não importa o lugar que se resolve investir, fazendo com amor a tendência é o sucesso.
Eu pegaria o mesmo barco, ouviria com paciência o “show de humor”, não reclamaria de mais nada... Se soubesse que no final a recompensa seria essa sorveteria!
Já quero voltar!
O nome é Mira Me RetrôO endereço: Rua Babitonga, 233 – Centro Histórico-
São Francisco do Sul-SC
Instagram: @mira-me-retro
Telefone: 47 3449-212
Horário de atendimento: 10:30 às 22:00
Não abre na segunda-feira*
Não abre na segunda-feira*
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| Baía da Babitonga São Francisco do Sul-SC |

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